quinta-feira, 8 de outubro de 2015

HISTÓRIA DO HINO "QUE SEGURANÇA, SOU DE JESUS".

Que Segurança, Sou de Jesus.
Letra: Fanny Jane Crosby (1820-1915)
Título Original: Blessed Assurance, Jesus Is Mine!
Música: Phoebe Palmer Knapp (1839-1908)
Texto Bíblico: "Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus." (Romanos 5:1 e 2)

Utilize este controle para ouvir o hino (formato MIDI): 

Fanny Jane Crosby nasceu em South East Putnam County, Nova York, a 24 de março de 1820. Ficou tragicamente cega em sua infância quando um médico de aldeia, ignorante, aplicou cataplasmas quentes em seus olhos inflamados.
A despeito do seu defeito físico, crê-se que a Srª Crosby, que mais tarde se casou com Alexander van Alstyne, (também cego), professor como ela, na Escola para Cegos de Nova York, tenha escrito uns 5.959 cânticos para duas firmas de publicações, e mais milhares de cânticos adicionais para produtores de livros de cânticos evangélicos, entre eles, homens bem conhecidos como Ira D. Sankey e W. H. Doane. Ela foi encarregada por uma casa publicadora de escrever três cânticos por semana durante um período indefinido e cumpriu esta comissão admiravelmente.
Conta-se que Fanny Crosby, orava muito e que não fazia nada, nem escrevia, sem primeiro ajoelhar-se e pedir a direção de Deus. Tinha ela uma amiga, filha de um famoso evangelista, que a visitava muito. Chamava-se Phoebe Palmer Knapp.
As palavras do cântico “Bendita Segurança” foram escritas como resultado de uma visita que a Srª Knapp fez a Fanny Crosby. A Srª Knapp escreveu a melodia, levou-a a sua amiga e após executá-la perguntou: – “Fanny, o que esta melodia diz a você?”
Fanny pensou por alguns momentos e então respondeu: -“Que Segurança, sou de Jesus.” Assim foram escritas as palavras e a música deste grande cântico de segurança, que é amado por milhares de cristãos em todo o mundo. A Srª Knapp foi bem conhecida como escritora de versos e música durante sua vida. Casou-se com o fundador da Cia. Metropolitana de Seguros de Vida e recebeu um salário anual de 50.00 dólares após a morte do marido. Grande parte de sua riqueza foi devotada à obra de caridade, antes de morrer em 1908, em Poland Spring, Maine.
Fanny Crosby foi amiga íntima de Grover Claveland que trabalhava como secretário da Escola para Cegos de Nova York, enquanto lá esteve como professora. Foi membro vitalício da Igreja Metodista Episcopal e morreu em Bridgeport, Connecticut, a 12 de fevereiro de 1915. Este seu cântico é provavelmente o mais lembrado dos muitos que ele escreveu.
Fonte: Histórias de Hinos e Autores – CMA – Conservatório Musical Adventista



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

HISTÓRIA DO HINO MARAVILHOSA GRAÇA (HARPA CRISTÃ 204)

Letra e música: Haldor Lillenas (1885-1959) Título original: Wonderful Grace of Jesus
Haldor Lillenas (1885-1959)

Esse lindo hino de gratidão a Cristo por sua maravilhosa graça, foi escrito por Haldor Lillenas (1885-1959), em 1918.

Haldor Lillenas (1885-1959) nasceu na Noruega e emigrou para os Estados Unidos, quando ainda era criança. Convertido ao cristianismo, aos 21 anos de idade ele entrou na Faculdade, e depois tornou-se ancião e pastor da igreja de “Nazarene”. Ele obteve sua formação musical através de estudo autodidata e por correspondência. Ele e sua esposa, Bertha, trabalharam como evangelistas por um tempo, viajando pelo país inteiro.

Mais tarde, ele estabeleceu-se em Illinois, e comprou um órgão, pela “extravagante” soma de cinco dólares. Eles não tinham muito dinheiro na época. Compôs o hino: “Maravilhosa Graça (H.A 204)” naquele órgão, e vendeu os direitos autorais da música por incríveis (e também) cinco dólares.

Em 1924, Lillenas fundou a “Companhia de Música Lillenas”, em Indianápolis, Indiana, que mais tarde tornou-se a “Companhia Nazarene de Publicação”. Ele trabalhou como editor por 20 anos. Tal como muitos outros compositores, ele foi muito prolífico. Juntos, ele e sua esposa, escreveram mais de 4000 hinos.

Em 1982, Lillenas foi introduzido no Hall da fama da música evangélica.

Haldor Lillenas, algumas vezes questionava-se que o hino “Maravilhosa Graça (H.A 204)” começava rápido demais. Ele queria que fosse mais devagar, para que todos pudessem se concentrar na “Maravilhosa graça de Jesus”.

Fonte: Hymns We Love
Tradução e texto: Joel Júnior
Para conhecer mais sobre a história desse hino, e sobre a maravilhosa graça de Jesus, acesse o link abaixo:http://hinostradicionais.blogspot.com.br/2013/08/...
YOUTUBE.COM

HISTÓRIA DO HINO: JESUS É MELHOR (H.A 91)

HISTÓRIA DO HINO: JESUS É MELHOR (H.A 91)

Letra: Rhea F. Miller (1894-1966) Música: George Beverly Shea (1909-2013)
Título original: I’d Rather Have Jesus - George B. Shea (1909-2013)

Quando tinha 28 anos de idade, enquanto caminhava nos campos perto de sua casa, Rhea Miller lembrou-se da batalha travada por seu pai contra o álcool, e como o Senhor o libertara. Certa vez, seu pai comentou que preferia ter Jesus do que todo o ouro e prata do mundo, e do que todas as casas e terras que o dinheiro pudesse comprar.

Foi nesse momento de meditação nas palavras de seu pai, que ele escreveu a letra desse maravilhoso hino. Rhea era um excelente pianista, e ele próprio criou uma melodia para sua poesia. No entanto, mais tarde, o George Shea ao ler a letra do hino, criou a sua própria melodia. Esta melodia é a que todos conhecemos hoje, sempre que cantamos: “Jesus é melhor sim, que ouro e bens...”. Vejamos, a história de como George Shea (o famoso cantor das cruzadas evangelísticas de Billy Graham) criou a melodia deste hino:

O pai de George Shea (1909-2013) era pastor, e mesmo em sua juventude, ele já ministrava a área de música nas igrejas pastoreadas por seu pai. Prova disso, é que em uma manhã de domingo de1929, quando tinha apenas 20 anos, seu compromisso com Cristo foi reafirmado através de um pequeno pedaço de papel. Ele estava sentado ao piano, provavelmente preparando alguma música para ser executada no culto daquele dia. Seus olhos, então, avistaram um recorte na prateleira. Sua mãe, muitas vezes compartilhava com ele pequenos artigos e poemas que ela acreditava que fosse uma bênção para o filho. Neste caso, foi o poema de Rhea Miller. O coração de Shea foi tocado pela mensagem do texto, e ele imediatamente escreveu uma música para o poema, cantando-a pela primeira vez no culto daquela manhã de domingo. Assim surgiu esse tradicional hino!

Essas palavras cristalizadas na sua juventude, foram determinantes na utilização do seu dom a serviço do Senhor. Mais tarde, ele recusou uma oferta para tornar-se um vocalista num programa de rádio da rede. A possibilidade de um emprego estável e de muito dinheiro no negócio do entretenimento, poderia ter sido tentadora naqueles anos de “Depressão”, mas Shea não pensou duas vezes. Seu verso favorito da Bíblia era: “Os meus lábios gritarão de alegria quando eu cantar louvores a ti, pois tu me redimiste” (Salmo 71:23).

Em 1939, o rei George VI e a rainha Elizabeth vinheram para o Canadá, e visitaram o famoso: “Calgary Stampede”. Durante uma cerimônia especial, o "Chefe Pena Branca" foi convidado a cantar. Como cristão, ele cantou o hino: “Jesus é Melhor” (H.A 91). Em certo momento da música, ele cantou: “Pode ser um rei com poder nas mãos, mas do mal escravo sim...” Depois de seu solo, foi elogiado pelo rei e pela rainha, momento em que ele corajosamente perguntou: “E vocês, preferem ter Jesus?” E a rainha respondeu sem hesitar: “Sim, o rei e eu o faríamos”.

Quantas histórias lindas num único hino! Esta canção ecoa a pergunta penetrante: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). Qual será a sua resposta? Espero que você responda com as palavras de Rhea Miller (1894-1966) e George Shea (1909-2013): “Mil vezes prefiro o meu Jesus, e servi-lo até o fim”.

Nota: George Shea (1909-2013) faleceu no dia 16 de abril de 2013, aos 104 anos. No entanto, sua fé permaneceu a mesma de 85 anos atrás quando ele criou a melodia de: “Jesus é Melhor” (H.A 91). Ao longo de sua vida, anunciou o evangelho através da música, para milhões de pessoas no mundo inteiro, junto com as cruzadas evangelísticas do Dr. Billy Graham.

Assista o vídeo do hino aqui:


Fonte: Word Wise Hymns
Tradução e texto: Joel Júnior
http://hinostradicionais.blogspot.com.br/2014/07/historia-do-hino-jesus-e-melhor-ha-91.html

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PASTOR ENÉAS TOGNINI ESTÁ NA GLÓRIA.


PASTOR ENÉAS TOGNINI ESTÁ NA GLÓRIA.



Com pesar, comunico o falecimento do colega e amigo amado pastor Enéas Tognini.
Pastor, professor, escritor,  fundou o Seminário Teológico Batista Nacional (STBN), e a Igreja Batista do Povo. Avivalista, é reconhecido como um dos maiores responsáveis pelo movimento de renovação espiritual da Igreja Evangélica Brasileira e pela criação da Convenção Batista Nacional.
A saudade causada pela ausência do nosso Pastor Enéas é compensada pela lembrança dos muitos frutos deixados e pela certeza de que nos encontraremos na Glória.
Que o Espírito Santo de Deus console os familiares, as ovelhas da IBP e os amigos!

Pr. Jonas Neves de Souza
Igreja Batista do Povo


Culto

● Teremos dois Cultos Cerimoniais na Igreja Batista do Povo
> Rua Domingos de Morais, 1100, Vila Mariana, São Paulo – SP  MAPA
- Hoje, 09/09, às 19h30
- Amanhã, 10/09, às 13h

Velório

 O corpo do Pr. Enéas Tognini será velado hoje (09/09), na Igreja Batista do Povo a partir das 14h30
> Rua Domingos de Morais, 1100, Vila Mariana, São Paulo – SP  MAPA

Sepultamento

 O corpo será enterrado amanhã, quinta-feira (10/09), às 15h, no Cemitério São Paulo
> Rua Cardeal Arcoverde, 1250, Pinheiros, São Paulo - SP MAPA



Conheça um pouco da historia desse querido homem de Deus

Filho de italianos, nasceu em 20 de abril de 1914 em Avaré. Converteu-se em 1932 aos 18 anos em Campo Grande - Mato Grosso, onde foi criado. Em 1933 se batizou e em 1938, atendendo ao chamado pastoral já estava no Seminário Batista do Sul no Rio de Janeiro. Formou-se em 1941, ano que foi ordenado ao ministério da palavra e neste mesmo ano assumiu a Igreja Batista do Barro Preto em Belo Horizonte e casou-se com Nadir.
Em 1946 veio para São Paulo, e assumiu a Igreja Batista de Perdizes e por 17 anos trabalhou no colégio Batista como, professor, vice-diretor e diretor. Em 1957 fundou a Faculdade Teológica Batista em SP. Em 1958 foi batizado com o Espírito Santo e após ser convocado pelo Senhor, entregou tudo em favor da obra do Avivamento no Brasil. Viajou cerca de 20 anos pelo Brasil promovendo o Avivamento. Em 1962 estava com Billy Graham em sua vinda ao Brasil, sendo um dos coordenadores da Cruzada.
Em 1963 criou o Dia Nacional de Jejum pelo Brasil, obtendo muito resultado em convocar o país para orar e na oração reverter a crise que se instalava.
Foi um dos fundadores da Convenção Batista Nacional em 1967. Em 1979 iniciou um trabalho na Casa de Portugal, SP, com cultos de avivamento. Esse trabalho resultou na fundação da Igreja Batista do Povo em 1981.
Sua esposa Nadir faleceu e tempo depois casou-se com Élia. Em 1981 fundou também o Seminário Batista Nacional que hoje leva seu nome. Em 1999 o Pr. Enéas entregou o pastorado da Igreja Batista do Povo para o Pr. Jonas Neves.
Em 2002 recebe o título de cidadão paulistano. No ano de 2004 foi eleito presidente da Sociedade Bíblica do Brasil e condecorado confrade da Academia Evangélica de Letras do RJ.
Em 2006 lançou sua autobiografia e foi reeleito presidente da SBB. Foi em 2008 condecorado confrade agora da Academia Evangélica de Letras de SP. A Sociedade Bíblica do Brasil lançou em 2009 a Bíblia do Avivamento em homenagem ao Pr. Enéas Tognini. Seu livro mais recente: Você está cheio do Espírito Santo? foi lançado em 2011, ano que completou 70 anos de ministério.
Em 2014, ano do seu centenário, foi inaugurado o Memorial Enéas Tognini, para homenagear e perpetuar a história de um dos principais avivalistas e evangelistas do Brasil, Enéas Tognini, escritor de mais de 45 livros, pastor, pai de três filhas, avo de 3 netos e 5 bisnetos e principalmente um homem de fé a serviço do Rei Jesus!
Atualmente era Pastor emérito da Igreja Batista do Povo e Presidente da Sociedade Bíblica do Brasil. Tognini foi também autor de 48 livros, entre eles: Batismo no Espírito Santo, Do Conselho do Senhor, O arrebatamento da Igreja, Na corda de Jesus, São Paulo será destruída, Tirai a pedra e Vidas Poderosas. Escreveu também sua autobiografia e a obra O período interbíblico, que narra a passagem do Antigo para o Novo Testamento, utilizado em muitos seminários teológicos pelo país. Foi condecorado confrade da Academia Evangélica de Letras.
O Pr. Enéas Tognini era fundador e diretor presidente do Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini, além de ter lecionado sociologia, filosofia e teologia em diversas instituições, como o Colégio Batista Brasil e a Faculdade Batista de Teologia.

Texto histórico escrito por Rubens Spada e adaptado pela equipe de Comunicação da Igreja Batista do Povo

sábado, 6 de setembro de 2014

O Que é Avivamento?

O Que é Avivamento?

Por: Richard Lovelace
Jonathan Edwards, o teólogo puritano que é considerado por alguns como a mente mais brilhante surgida nos Estados Unidos, foi também o maior teólogo de avivamento. Quando falamos sobre avivamento na igreja contemporânea, os escritos de Edwards nos fornecem os melhores padrões disponíveis para avaliar o que é genuíno, o que é espúrio, e o que é mistura aguardando a purificação.

Logo no começo da sua carreira pastoral, Edwards teve que enfrentar as implicações da sua congregação passar por um avivamento. Apesar de ser uma igreja solidamente ortodoxa que já passara por diversas colheitas de conversões sob o ministério do avô de Edwards, Solomon Stoddard, nesta década de 1730, a sua ortodoxia era meramente “teórica”, como diriam os puritanos. Os paroquianos conheciam seu catecismo, e podiam citar de cor os elementos da fé cristã, mas poucos se importavam profundamente com Cristo.

Eram absortos e fascinados pelos negócios e pela vida cotidiana, e davam pouca atenção para Deus. Em 1734, Edwards pregou “Uma Luz Divina e Sobrenatural”, propondo uma nova maneira de definir esta situação da igreja. Cristãos nominais que já passaram por sucessivas etapas de doutrinação ou É ensinamento são capazes de falar convincentemente mesmo quando estão totalmente sem contato com a realidade sobrenatural. Conseguem jogar com peças teológicas como se fossem marcadores no mapa de um território que nunca visitaram. O verdadeiro cristianismo requer encontros com a verdade, mas esta verdade precisa ser iluminada pela presença do Espírito Santo. Somente isto produzirá “um verdadeiro senso da excelência divina das coisas reveladas na palavra de Deus”.

Um dos efeitos deste encontro seria o prazer experimentado na presença de Deus. O convertido “não apenas acredita racionalmente que Deus é glorioso, mas tem um senso da gloriosidade de Deus no seu coração… há um senso da beleza da santidade de Deus.” O cristianismo bíblico, portanto, é ortodoxia iluminada pelo Espírito que transforma o coração e reorienta a vida inteira para focalizar em Deus e buscar a sua vontade.

Esta descrição acima na verdade foi da própria experiência pessoal de Edwards, como se pode ver em “Personal Narrative” (Narrativa Pessoal). Quando primeiro viu as Escrituras sob a iluminação do Espírito Santo, sua vida começou a mudar:

Minha mente foi grandemente estimulada a passar o tempo lendo e meditando sobre Cristo, sobre a beleza e excelência da sua pessoa, e sobre o belíssimo caminho de salvação por graça total nele… Saí andando sozinho, num lugar solitário no pasto, para contemplar… Entrou, então, na minha mente um senso tão doce da gloriosa majestade e graça de Deus, a ponto que não saberia como exprimir… Parecia veras duas coisas em santa conjunção: majestade e mansidão ligadas uma à outra; era uma majestade doce, meiga, e santa; e também era uma mansidão majestosa; uma doçura temível; uma mansidão elevada, grandiosa, e santa.

Como parte desta nova preocupação, gerada pelo Espírito, no jovem Edwards, havia um interesse fervoroso em avivamento e na extensão do reino de Cristo. Ele pode não ter suspeitado que sua própria congregação seria um dos principais focos do avivamento pelo qual orava. Ele era um intelectual introvertido, que havia devorado os escritos de John Locke com 14 anos, e que agora não conseguia participar das conversas banais necessárias nas visitas pastorais. Passava 14 horas por dia no seu escritório. No domingo de manhã, a pregação era feita através da leitura do manuscrito que escrevera durante a semana, olhando intermitentemente não para o povo, mas para a corda do sino. Com certeza, era a última pessoa que saberia “Como Promover e Conduzir um Avivamento”, para usar a expressão de R. A. Torrey.

Mas em 1734, o avivamento irrompeu na sua congregação de Northampton, Massachusetts. Começou entre os jovens, que antes estavam se distanciando cada vez mais da igreja, mas agora queriam reunir-se com Edwards para discutir seus sermões. A maioria dos pastores hoje já se dariam por satisfeitos, considerando isto um avivamento em si; mas como muitas vezes acontece, o despertamento alcançou os adultos. Edwards disse depois que as coisas espirituais tornaram-se tão urgentemente reais a eles que sua dependência das coisas do mundo foi quebrada:

Uma grande e sincera preocupação sobre as coisas de Deus, e do mundo eterno, tornou-se universal em todas as partes da cidade… Todos os demais assuntos, além de coisas espirituais e eternas, foram descartados… Um assunto que não fosse sobre as coisas religiosas praticamente não seria tolerado em qualquer tipo de grupo. As mentes das pessoas eram maravilhosamente desligadas do mundo, pois este passou a ser tratado entre nós como algo de muito pouca conseqüência. Pareciam cumprir suas obrigações seculares mais como parte do seu dever, do que por uma disposição que tinham para fazê-las; o perigo agora estava no outro lado, de negligenciar demais as tarefas seculares, e passar tempo demais no exercício imediato da religião.

Intensa convicção de pecados era quase universal entre aqueles que corresponderam ao avivamento de Northampton. Pecados mais profundos como orgulho e inveja eram os focos principais. Alguns ficaram preocupados por ainda não sentirem convicção de pecados.

Embora o treinamento catequético que os membros tinham era mais que suficiente para saber como sair das masmorras de desespero causado pela convicção do Espírito Santo, a maioria teve que procurar a Edwards no seu escritório para ser guiada ao Mestre. Ele, que muitas vezes não sabia como visitar seus membros, agora era visitado por eles!

Dois outros aspectos do avivamento de Northampton devem ser notados. Primeiro, a adoração na congregação foi vivificada. Os paroquianos não estavam mais jogando em cima de mapas teológicos, estavam em contato com o território da realidade divina:

Nossas assembléias públicas ficaram mais bonitas; a congregação estava viva no serviço a Deus, cada um genuinamente concentrado na adoração coletiva, cada ouvinte ansioso para beber cada palavra do pregador, à medida que saía da sua boca; a congregação em geral ficava em lágrimas de poucos em poucos minutos, durante a pregação da palavra; alguns choravam de tristeza e angústia, outros com alegria e amor, e ainda outros com compaixão e preocupação pelas almas dos seus próximos.

Segundo, o.evangelismo pessoal aumentou numa escala sem precedentes entre os puritanos. Evangelismo por parte de leigos cresceu a um novo patamar. Compartilhar o evangelho, que antes era direcionado principalmente do clero para o leigo, agora fluía em canais novos – de esposas para maridos, e até de crianças para pais: “A cidade parecia estar cheia da presença de Deus; nunca ficou tão cheia de amor, nem de alegria, nem de angústia, como estava naqueles dias… Era um tempo de alegria nas famílias por causa da salvação que lhes era trazida; pais se regozijavam por seus filhos como se tivessem acabado de nascer, e maridos por suas esposas.”

Ondas de Avivamento

Edwards não considerava o avivamento de Northampton como algo diferente do alvo de Deus em relação à igreja como um todo. Nos seus sermões de 1739 sobre a História da Redenção, ele propõe que a história sagrada alterna entre períodos de declínio espiritual, tão implacáveis quanto a gravidade do pecado, e eras de graça, nas quais o Espírito Santo é derramado sobre o povo de Deus, capacitando-o para os combates espirituais que tomarão território da carne, do mundo e do diabo. Esta força espiritual foi manifesta na geração que conquistou Canaã, no Pentecoste e na evangelização subseqüente do Império Romano, e na Reforma Protestante. Edwards projetou uma alternação futura de declínios e despertamentos que levariam finalmente à glória milenar da igreja.

O fluxo e refluxo de guerra espiritual explica a típica curva senoidal na história dos avivamentos. Se fizermos um gráfico da história militar da Segunda Guerra Mundial, veremos que terreno era conquistado, depois perdido, e depois reconquistado e ampliado. A invasão da Normandia corresponde a um grande despertamento espiritual, que eleva a igreja a um novo nível de pureza e influência. A história do reino de Deus começa como um ponto de luz sobre um planeta caído, e depois aumenta, contrai, e aumenta novamente, liberando território até toda a terra ficar cheia de luz, cheia da glória de Deus, como as águas cobrem o mar.

Assim o modelo de Edwards de avivamento e declínio, baseado no fluxo e refluxo da guerra espiritual, indicava que um despertamento poderia ser mais semelhante a um combate de rua do que a um amanhecer de primavera. Um mover de avivamento pode ser diluído, desfigurado, ou até invadido pelas forças contrárias do pecado e de Satanás.

Edwards viu isso acontecer pela primeira vez em 1735 quando um dos seus paroquianos ouviu uma voz persistente ordenando-lhe a cortar sua própria garganta, à qual no fim ele acabou obedecendo. Edwards comentou que durante o auge do avivamento “Satanás parecia estar excepcionalmente refreado” pela libertação de pessoas aflitas por depressão e tentações; mas que depois desse suicídio, “ele começou a se soltar mais, e esbravejava de uma forma pavorosa”.

Edwards aparentemente cria que injetar elementos espúrios para descaracterizar o avivamento claramente era a estratégia principal dos demônios. Ele certamente concordaria com J. Edwin Orr que em todo despertamento, o primeiro a acordar é o Diabo.

Edwards logo presenciou mais disto, no período explosivo de avivamento na Nova Inglaterra de 1739 a 1742. As grandes campanhas evangelísticas em que George Whitefield pregava eram poderosamente eficazes para trazer conversões, mas foram desfiguradas por ele ter sugerido impensadamente que seus oponentes não eram verdadeiros cristãos. Outro pregador, Gilbert Tennant, falou sobre “O Perigo de um Obreiro Não Convertido”, e rachou a Igreja Presbiteriana durante 17 anos, e ainda outro (James Davenport) orou de púlpito, para que pastores locais, citados por nome, fossem convertidos, trazendo caos a igrejas em Boston. (Posteriormente, Tennant curou a brecha na sua igreja, admitindo que o Presbitério de Filadélfia provavelmente só estava dormindo, e não morto. Davenport também confessou que não sabia que espírito o moveu a orar daquela forma.)

Elementos Primordiais e Aspectos Secundários de Avivamento

De repente, então, surgiu uma tempestade de críticas, que freqüentemente focavam verdadeiros problemas existentes no avivamento. A primeira resposta de Edwards foi puramente defensiva. “Marcas Distintas de uma Obra do Espírito de Deus” (1741) começa afirmando que há muitos elementos num avivamento que não são marcas definitivas do Espírito, nem sinais da operação da carne ou do diabo, mas são simplesmente indiferentes – uma espécie de pacote acidental que envolve o verdadeiro cerne do despertamento espiritual.

Não prova nada o fato do avivamento ser fruto de reuniões prolongadas, ou produzir estranhos efeitos corporais. Uma forte preocupação com religião ou visões imaginativas também não prova nada nem a favor, nem contra. Se fenômenos de avivamento parecem se espalhar por contágio ou imitação, outra vez não dá para concluir nada. Imprudência e irregularidade, enganos satânicos, e até a apostasia subseqüente de alguns convertidos não contestam a genuína atividade do Espírito num avivamento.

De forma mais positiva, Edwards encontrou cinco marcas bíblicas de um avivamento autêntico: exalta Jesus; ataca as forças das trevas; exalta as Escrituras Sagradas; promove a sã doutrina; e traz amor a Deus e ao próximo.

Edwards estava convencido de que poderia haver muita imaturidade mesmo num avivamento autêntico. “Na primavera, inúmeras flores e novos frutos aparecem com vigor, prometendo florescer, e depois caem e dão em nada… Da mesma forma, uma chuva faz brotar os cogumelos, que aparecem de repente, assim como dá crescimento às plantas úteis…. (Na primavera, quando os pássaros cantam, as rãs e os sapos também coaxam.)”

Orgulho Espiritual – Arma de Satanás para Contaminar o Avivamento

Nos seus escritos posteriores, Edwards deixa cada vez mais a defesa do avivamento e começa a criticar seus defeitos. Em “Pensamentos sobre o Avivamento na Nova Inglaterra” (1742), depois de começar com uma forte descrição do poder do avivamento, ele oferece uma crítica profunda da religiosidade carnal. Sua preocupação é que os líderes do avivamento tenham começado a confundir suas próprias intuições, impulsos e palpites com a direção de Deus. Acima de tudo, ele lamenta a prevalência do orgulho espiritual, “a porta principal por onde o diabo entra nos corações daqueles que têm zelo pelo avanço da religião… e também a chave principal que ele usa para controlar pessoas religiosas… para contaminar e impedir uma obra de Deus.” O orgulho é um impedimento tão sério porque desvia os cristãos do arrependimento e os torna críticos:

O orgulho espiritual torna a pessoa muito suscetível a suspeitar dos outros, enquanto que um cristão humilde se preocupa mais consigo mesmo, e assim suspeita mais do seu coração do que qualquer outra coisa no mundo… O cristão verdadeiramente humilde tem tanto para fazer em casa, que não tem muita possibilidade de se ocupar com o coração dos outros… Terá sempre a tendência de considerar os outros melhores do que a si mesmo, e espera que ninguém tenha maior amor e gratidão a Deus do que ele.

Cristãos com orgulho espiritual, por outro lado, são rápidos para censurar os outros e logo se separam deles também, se suas crenças ou comportamentos não atingem seu padrão. Sua carnalidade espiritual geralmente irrita profundamente os que estão por perto com sua autoconfiança, ousadia humana e inflexibilidade dogmática, que ou discute continuamente, ou nem mesmo aceita diálogo. O orgulho espiritual “muitas vezes predispõe a pessoa a assumir uma forma singular de falar”. Sempre “é extremamente sensível à oposição e às injúrias recebidas de outrem”. Alisa muito a si mesmo, enquanto negligencia aos outros.

No início da década de 1740, Edwards ansiava por líderes de avivamento que não fossem pomposos ou contenciosos, que fossem apenas cristãos humildes:

Cristãos que são apenas co-vermes uns dos outros, deviam no mínimo tratar os outros com a mesma humildade e mansidão com que Cristo… os trata. O cristão verdadeiramente humilde se reveste de mansidão, brandura, modéstia, bondade de espírito e comportamento… A pura humildade cristã não possui nenhum elemento de aspereza, desprezo, fúria, ou amargura na sua natureza; torna a pessoa como uma criança… ou como um cordeiro, destituída de qualquer amargura, ira, raiva, ou gritaria.

As Características de um Verdadeiro Avivamento

Na sua obra “Tratado sobre Afeições Religiosas” (1744), Edwards mostra sua preocupação de que a pura espiritualidade cristã estivesse sendo submersa por falsificações. “É pela mistura da religião falsificada junto com a verdadeira, quando não discernida e não distinguida, que o diabo tem sua maior vantagem contra a causa e o reino de Cristo.”

Como em “Marcas Distintas”, Edwards começa fazendo uma lista de “sinais insuficientes” que nem desacreditam nem validam um avivamento: intensas emoções religiosas, efeitos involuntários no corpo, propensão para falar mais, formas humanamente orientadas para amar, um temor servil de Deus, intensa religiosidade, louvor a Deus que de fato é focado em si mesmo, certeza de salvação (ou falta dela), e até a preocupação em agradar outras pessoas consagradas.

Se estes não são sinais de renovação espiritual, então o que é? Edwards responde que o coração (o centro mais interior da personalidade) precisa ser tocado pelo Espírito Santo. Este toque de cura gera afeições (motivações motrizes que informam e dirigem a mente e a vontade), que procedem de amor pelo próprio Deus, não apenas de gratidão pelas suas dádivas. Estas afeições são respostas à própria beleza de Deus, não apenas ao seu poder ou grandeza.

Não são sentimentos que anulam a mente, mas que a iluminam e transformam. Dão mais segurança e certeza à fé, mas também geram humildade. Transformam nossa natureza, produzindo um espírito manso e bondoso, e uma grande sensibilidade em relação ao pecado. Não promovem emotividade centrada em si mesmo, mas antes uma vigorosa consciência social que cuida tanto do corpo como da alma das pessoas. Levam inevitavelmente à prática de caridade cristã.

Quando o “Tratado sobre Afeições” foi publicado em 1746, Edwards já estava desanimado com o avivamento. Em 1742, ele havia advertido sobre a estratégia do diabo de semear joio no meio do trigo a fim de desacreditar a lavoura inteira:

Podemos observar que é uma tática comum do diabo levar um avivamento de religião a extremos; quando percebe que não dá mais para segurar as pessoas e mantê-las quietas, então os instiga a excessos e extravagâncias… Embora tente com a máxima diligência levantar inimigos declarados de religião para fazer oposição, ao mesmo tempo sabe que numa época de avivamento, sua maior força será através dos amigos do movimento; e seu esforço maior será no sentido de enganar e desviá-los do verdadeiro alvo. Uma pessoa genuinamente zelosa pode fazer mais para impedir a obra, do que cem oponentes fortes e declarados.

Em 1747, Edwards auxiliou um projeto da Igreja Presbiteriana da Escócia, pedindo campanhas trimestrais de oração intensa em favor de despertamento espiritual, numa obra intitulada “Uma Tentativa Humilde de Promover Concordância Explícita em Oração Unida pelo Avanço do Reino de Cristo”. Nesta época, ele sentiu que os erros dos líderes do avivamento haviam temporariamente desencarrilhado o movimento. Entretanto, ainda estava confiante de que oração unida em favor do tipo de despertamento espiritual que descreveu nos seus escritos poderia prevalecer. Argumentou que quando a igreja está no seu pior e mais fraco estado, pode estar mais próxima ao avivamento, por ser atraída a Deus em dependência maior:

O limite extremo de fraqueza da igreja freqüentemente tem sido a oportunidade de Deus para ampliar seu poder, misericórdia e fidelidade para com ela. O interesse e preocupação de pessoas consagradas há muito tempo está em torno da decadência geral, e no avanço do erro e da maldade; parece que agora a doença chegou a uma crise total… Quando a igreja, neste estado tão baixo, e oprimida por seus inimigos, começa a clamar a Deus, ele rapidamente correrá ao seu socorro, como pássaros voam ao ouvir seus filhotes.

O Que Edwards Pensaria Sobre as Visitações Atuais?

Se Edwards estivesse vivo hoje, o que ele diria sobre a “Bênção de Toronto”, o “Avivamento de Pensacola”, o ministério de Rodney Howard Browne, Benny Hinn, e tantos outros ministérios e igrejas que apresentam fenômenos sobrenaturais nos dias atuais?

Edwards, Wesley, e outros avivalistas também testemunharam pessoas desmaiando ou caindo quando tocadas pelo Espírito Santo. A preocupação de Edwards nestes casos era verificar se a experiência incluía verdadeira iluminação e transformação do coração, com frutos duradouros na fé cristã e na vida, e não apenas efeitos passageiros no corpo.

Alguns componentes das experiências em Toronto e em outros lugares o fariam parar para pensar. É verdade que durante os avivamentos no sertão dos EUA, os convertidos eram tomados por um comportamento contagioso, repuxando voluntariamente e latindo como cachorros. Peter Cartwright encorajava os fenômenos como um auxílio à humildade, mas outros sentiam que o avivamento estava sendo desfigurado por estes elementos.

Um historiador comenta: “Aqueles que se opunham às manifestações logo reconheciam que a atitude do pregador tinha grande influência sobre a natureza das reuniões. Uma ordem clara da parte dele logo no início da primeira manifestação exagerada geralmente era suficiente para acalmar os que eram afetados, e evitar o contágio. Um pastor batista que estava pregando lá quando alguém começou a sacudir e repuxar, parou a sua preleção, e num tom alto e solene disse: ‘No nome do Senhor, ordeno que todo espírito imundo saia deste lugar’. Na mesma hora, a pessoa ficou quieta.”

Alguns líderes nestes movimentos atuais estão tentando diminuir a importância destes fenômenos. Mas outros defendem as imitações de animais como auxílios à humildade, e que não poderiam ser demoníacas por causa da atmosfera santa nas reuniões. Mas Edwards e os outros líderes de avivamento sabiam que em despertamentos estavam sempre num cabo-de-guerra com o Diabo. Os puritanos diziam: “Quando o sol brilha sobre o brejo, sobe uma névoa”. Às vezes a conversão produz exorcismo na vida da pessoa, e os agentes deslocados podem não sair caladinhos.

Incapazes de vencer o avivamento, podem tentar se ajuntar a ele, como a moça em Filipos que fazia propaganda grátis dos apóstolos, mas foi prontamente exorcizada por Paulo (Atos 16.16).

Um avivamento que começa a reproduzir risos compulsivos, bebedice espiritual, piando como aves ou rugindo como leões, considerando-os como aspectos que se espera do despertamento espiritual pode estar se abrindo para entrar no jogo do inimigo. É do interesse do diabo fazer os cristãos parecerem esquisitos. Ele não precisa possuí-los para realizar isso; ele o consegue por sugestionamento. O alvo da sua estratégia é criar uma igreja tão estranha nas suas práticas que os não convertidos nem cheguem perto dela. O alvo do avivamento é conformidade à imagem de Cristo, não imitação de animais.

De qualquer forma, Edwards acharia muitos aspectos do cristianismo evangélico moderno mais estranhos ainda do que as manifestações de Toronto, cheio de fraquezas teológicas, conformidade cultural, e os efeitos desfiguradores de orgulho espiritual; casas estéreis e desconfortáveis onde há pouco para nutrir a vida espiritual. Ele ficaria contente com a tendência de crítica profética que aponta estas necessidades, mas não ficaria desanimado. Sua própria atitude final em relação ao Grande Despertamento da sua época foi, por um lado, sujeitá-lo ao mais rigoroso exame crítico, e por outro, solicitar oração extraordinária para seu avanço. Estas são as estratégias que precisamos seguir hoje.
Os dois artigos acima foram extraídos da revista Christianity Today de 11/09/1995 e escritos por Richard F. Lovelace, professor de história da igreja no Seminário Teológico Gordon-Conwell em South Hamilton, Massachusetts, e autor do livro “Dynamics of Spiritual Life”.

AVIVAMENTO E ORAÇÃO NAS PALAVRAS DE LUTERO

Oração, que é aquele ato interior do coração, indiscutivelmente sempre será um dos pontos em que uma reforma verdadeira e vital começará.

Lutero disse: “Quando orar, sejam poucas as suas palavras, mas muitos os seus pensamento e sentimentos. Quanto menos falar, melhor será sua oração. Poucas palavras e muitos pensamentos é a essência da oração cristã; muitas palavras e poucos pensamentos é característica da oração pagã. Oração exterior é como um zumbido que vem dos lábios que impressiona os olhos e ouvidos dos homens; mas oração em espírito e verdade procede de desejos interiores, dos movimentos e suspiros que saem das profundezas do coração. Esta é a oração dos filhos de Deus, que andam no seu temor.”
http://www.revistaimpacto.com.br/o-que-e-avivamento

AVIVAMENTO NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO (ZAIRE)


AVIVAMENTO NA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO (ZAIRE)

Depois que a maioria das pessoas tinha saído do salão, após o término de um culto no domingo de manhã, um jovem professor da escola voltou e sentou-se no banco da frente. Seu semblante era um pouco atemorizado e começou a estremecer.

Uma menina paralítica estava sentada no primeiro banco do lado das mulheres. Não lhe demos atenção, pois ela sempre ficava sentada ali até que quase todos tivessem se dispersado. Mas logo que o professor Yoane começou a falar, a menina Biboko se derramou em pranto. Seu choro passou a um grito, e depois a um uivo ruidoso. Não sei que outro nome dar ao que ela fazia. Oh, a agonia daquele uivo! ela cobria seu rosto com suas mãos, mas as lágrimas jorravam através de seus dedos. Quando finalmente ela conseguiu articular algumas palavras, ela clamou: “Que posso fazer? Que farei?” repetindo isto mais de cem vezes. Nesse ínterim toda a congregação havia voltado. Biboko estava derramando seu coração em lágrimas e Yoane estava confessando seus pecados.

Ele disse depois que tinha saído do prédio com seus amigos. Depois de dar uns cinco passos, suas pernas endureceram e ele não podia mais andar. Ele ouviu uma voz no seu coração advertindo-lhe que se ele deixasse a igreja sem consertar a sua vida com Deus, ele seria uma alma perdida. Ele ficou ali mesmo, travando uma batalha consigo mesmo. Depois ele confessou muitas desobediências e no fim da sua confissão ficou transbordante de alegria pelo seu perdão. Ele foi o primeiro caso de “embriaguez” no Espírito que presenciamos. Ele cambaleava, cantava e ria. Mais tarde ele compôs muitos hinos.

Naquele dia à noite, depois de terminada a reunião de oração dos missionários, fui chamado para ir ao alojamento dos operários, pois Deus estava operando ali. Que espetáculo! Nunca poderei esquecer-me dele! A pequena construção estava abarrotada de homens (as mulheres estavam do lado de fora) que estavam sentados, em pé, ou nos braços de alguém, chorando, confessando e agonizando. Um dos homens, que se achava nos braços de um outro, sem forças para se mover, clamava incessantemente: “Meu coração é perverso, meu coração é perverso. Oh, o que farei?

Quem pode dar-me um coração limpo? Não posso comparecer diante de Deus com este coração malvado!”

Depois dele proceder desta forma por algum tempo, aproximei-me dele e disse-lhe: “Você nunca encontrará alívio por dizer que seu coração é perverso. Nomeie os seus pecados e saiba que o Senhor perdoará cada pecado que você confessar.” Ele abriu seu coração e confessou falsidade, adultério, bebedice etc. Qual não foi a sua intensa sinceridade e remorso nesta confissão! Não posso transmitir isto por meio de palavras. Mas assim que ele terminou, encheu-se de alegria e louvor, e então se dispôs a ajudar seus amigos que ainda estavam angustiados.

Um missionário descreveu o que Deus estava fazendo naqueles dias da seguinte maneira: primeiro, prostrar-se pela horrível convicção de pecado; segundo, louvor a Deus pelo sangue de Jesus; terceiro, oração, agonizando-se em favor das almas; quarto, pregação, saindo para testemunhar e levar outros a um conhecimento salvador de Jesus; e finalmente, purificação, quando um ou outro se levantava e mostrava por revelação do Espírito, alguém que ainda não estava certo com Deus, e implorava-lhe que consertasse sua vida antes que fosse tarde demais.

www.revistaimpacto.com.br/avivamentos-que-marcaram-a-historia

terça-feira, 29 de outubro de 2013

John Piper desafia tradição da Igreja Batista e faz pregação polêmica sobre batismo no espírito santo e dons espirituais

John Piper desafia tradição da Igreja Batista e faz pregação polêmica sobre batismo no espírito santo e dons espirituais

O estudo acerca dos dons espirituais sempre gerou polêmica no meio cristão, haja vista a própria Igreja Batista ter varias ramificações por divergências neste assunto.

Em uma pregação o pastor John Piper demonstrou sua visão acerca dos dons espirituais como dons de línguas e de cura. Para o pastor da Igreja Batista Betel de Minneapolis há razões para acreditarmos na contemporaneidade dos dons.


No estudo ele apresenta quatro delas: a primeira é sobre o termo “batismo com o Espírito Santo”, baseado em Atos 1:5 e 11:16. Sobre isso Piper escreveu que “se o Espírito te cobre como um batismo, não podemos imaginar o Espírito entrando de maneira sorrateira e quieta enquanto você dorme e fazendo morada de maneira imperceptível.”

Outro aspecto pregado por evangélicos pentecostais que Piper concorda é sobre o poder, a ousadia e a confiança. “Jesus diz em Atos 1.5 e 8 que o batismo com o Espírito significa: “mas recebereis a virtude (poder)… e ser-me-eis testemunhas”. Isso é uma experiência de ousadia, confiança e vitória sobre o pecado.”

“Não há motivo para pensar que até mesmo para Paulo o batismo com o Espírito Santo estava limitado ao momento inicial da conversão. E certamente no livro de Atos o batismo com o Espírito Santo é mais que um ato divino subconsciente de regeneração- é uma experiência consciente de poder (Atos 1.8).”

Outro ponto apresentado pelo pastor reformado é sobre ao testemunho descrito em Atos. “Na verdade a terceira razão que me faz pensar isso é que quando pegamos uma concordância e procuramos em todas as passagens em Atos onde o Espírito Santo trabalha nos cristãos, nunca é de forma subconsciente. Em Atos o Espírito Santo não é uma influência silenciosa, mas experimentação de poder. ”

Já o quarto e último ponto fala sobre a manifestação do Espírito como consequência da fé, e não de forma subconsciente. “Em Atos 11.15-17 Pedro relata como o Espírito Santo desceu sobre Cornélio assim como nos discípulos em Pentecostes. (…) Note que o dom do Espírito, ou batismo com o Espírito, é precedido pela fé.”


Concluindo esse estudo sobre o Batismo do Espírito, Piper fala sobre os dons de línguas. “Em si mesma a língua é relativamente sem importância. A verdadeira contribuição valiosa da renovação carismática é sua implacável ênfase na verdade que receber o dom do Espírito é uma experiência real marcante.”

Fonte: Gospelprime

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Catando figos na figueira

Em meu afazer diário de catar frutas, hoje me dediquei a catar figos. Figos deliciosos como todas as frutas que o Senhor nos deu e que vou repartir com os amados que. São produzidos pela figueira, a primeira espécie frutífera mencionada na Bíblia.

Saboreando alguns antes de repartir, fiquei pensando em quantas aplicações nós temos sobre o assunto através da Palavra de Deus.

Assim em minha busca de encontrar os frutos me deparei com diversas espécies de figueiras. A primeira estava linda, cheia de folhas que proporcionavam sombra para o calor do sol. No entanto ao procurar os frutos, infelizmente nada encontrei. Lembrei-me daquela figueira em que o Mestre foi colher os frutos para se alimentar, mas nada encontrou.

Em um dos galhos que sustentavam uma parte da grande árvore, pude ver com os olhos espirituais Igrejas formosas, ricas, opulentas, com seus shows e grandes oradores. Era uma igreja vibrante que impressionava todos os que passavam, especialmente ricos, políticos, empresários. No entanto nesse ramo, em suas ramificações não havia fruto algum.

Em outro dos galhos vi outra Igreja também barulhenta onde os pequenos ramos apenas se preocupavam em seus crescimentos próprios, busca essa que era mais uma competição interna com os pequenos ramos roubando a beleza uns dos outros. Também não havia os frutos que tanto buscava.

Em mais um galho pudemos ver que as folhas mesmo estando velhas, ainda se mantinham em seus lugares. Observei que eram folhas que não queriam dar lugar ao renovar de seus ramos por causa de suas velhas e tolas tradições. No passado foram muito produtivas, mas do passado ficou apenas o ranço contra o renovar diário. Embora já tenham produzidos muitos frutos, hoje não mais os produzem, razão pela qual nada encontramos para colher.

Havia outros galhos com diversas outras características boas aos olhos, mas igualmente improdutivos. Espiritualmente vimos que esses galhos da figueira recusavam-se a produzir os bons frutos, não podiam os produzir, haviam se tornado estéreis para nada servindo. Fadados a serem cortados brevemente e serem lançados ao fogo, a serem vomitados da boca do Senhor.

Mas não me cansei da busca, porque sabia que o Senhor ainda havia mantido figueiras produtivas. Pois sempre que as figueiras se recusam a continuar produzindo frutos, o Senhor lhes volta as costas e dá atenção àquelas que estão prontas para a produção de frutos.

Dei atenção a um canto onde os agricultores estavam cuidando de figueiras que permitiam que fossem tratadas. Uma que havia produzido muitos frutos e estava cheia de ramos velhos permitiu que o cuidador fizesse uma grande poda em seus ramos. Foram retirados a maioria dos galhos dos ramos que já haviam frutificados para que novos brotos saíssem cor vigor.

Fazendo uma analogia com nossas vidas, entendemos que essa poda também é necessária em nossas vidas e devem ser feitas com a constância que só o Senhor de nossas vidas pode determinar. Os ramos do orgulho, da falsa humildade, dos interesses próprios, dos denominacionais, das mágoas, das friezas, do falso intelectualismo, do pernicioso acomodamento espiritual, da falta de interesse, da falsa do repartir com os necessitados. Enfim uma lista imensa que devemos deixar nas mãos do Mestre para que Ele sonde as nossas vidas e veja tudo aquilo que nos impede de produzir os frutos de uma vida submissa ao Espírito Santo do Senhor.

Vi outra figueira cheia de frutos a qual permitiu que eu colhesses muitos deles para poder repartir com os meus amados que estão me dando atenção nesta leitura. Meu desejo é o de repartir com todos, mas nem todos os aceitam, preferindo viver na mediocridade de suas vidas. Os frutos não são meus, foram produzidos pela figueira que recebe seus nutrientes através de suas raízes ligadas ao Senhor, ao Mestre amado.

Amados, as figueiras somos nós em particular. Paremos para pensar comigo como está a nossa vida perante o Senhor. Vamos ver se estamos produzido os frutos do Senhor para saciar outras outras vidas, para levar a paz e a graça do Senhor aos não alcançados que estão sedentos e famintos daquilo que o Senhor nos deu em abundância. Vamos juntos fazer o propósito de permitir que o Mestre faça o que for preciso em nossas vidas, mesmo que nos doa, mesmo que percamos muitas inutilidades que nos parecem valiosas. Mas que a vontade do Senhor e Mestre de nossas vidas em e através de nossas se estabeleça neste mundo mau através da vindo do Reino de Deus neste mundo.

Amém amados. E que Deus comece por mim, é a minha prece neste momento, com lágrimas nos olhos! Me trata Senhor para que o Senhor seja exaltado e o eu seja diminuído.

Ivo Gomes do Prado - 01/11/2011.


Marcos 11.12. No dia seguinte, depois de saírem de Betânia teve fome,
13 e avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa; e chegando a ela, nada achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
14 E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E seus discípulos ouviram isso.


APOCALIPSE 03:
16 Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Clube de salvos


A história abaixo não é mera coincidência nem com a realidade de hoje e nem com as histórias dos avivamentos, pois todos o movimentos tiveram os seus apogeus e seus declínios. São como as paixões que antecedem os casamentos, logo se apagam permanecendo o melhor que é o amor.

A maioria de nossas Igrejas atuais são como história de um clube de náufragos. Clube criado para salvar outros sobreviventes de naufrágios que havia numa costa marítima cheia de rochas traiçoeiras. Com o passar do tempo esse clube começou a se "organizar" acabando por serem acrescentadas muitas atividades sociais. Até que um dia, os membros do clube acabaram por se esquecer completamente da finalidade para que o mesmo havia sido criado.

Aí os recém salvos dos naufrágios recentes iniciaram outro clube de náufragos. Mas com o tempo esse novo clube acabou tendo o mesmo destino do primeiro clube.


E assim a história sempre acaba por repetir-se.


Não é possível se manter um avivamento em seus tempos de apogeu, mas é possível se manter o amor de Deus renovando-se constantemente para manter a chama do Espírito sempre a arder em nossos corações.



II Timóteo 1.6 "Por essa razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do dom de Deus que está em você mediante a imposição das minhas mãos."

Ivo Prado.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Avivamento em Shantung


 Avivamento em Shantung 
 Embora talvez pouco conhecido pela maioria dos cristãos, o Avivamento de Shantung é considerado um dos avivamentos mais significativos na China e foi, com certeza, o mais poderoso que já houve no meio dos batistas. Shantung (ou Shandong) é uma província no litoral nordeste da China. Pouco antes da invasão do país pelo Japão em 1937, no meio da turbulência política causada por atividade comunista na região, Deus enviou uma poderosa onda de avivamento que durou aproximadamente dez anos (1927-1937). A seguir, a terceira parte de uma série de relatos e testemunhos dessa importante visitação.

 Charles Culpepper, presidente do seminário batista em Shantung, na cidade de Hwanghsien, foi uma das peças importantes que Deus usou durante o avivamento naquela região. Depois que a missionária norueguesa, Marie Monsen, perguntou para ele se já havia sido batizado no Espírito Santo, Culpepper ficou profundamente incomodado e iniciou uma busca intensa em oração que levou quatro anos até receber a resposta. Na segunda parte desta série, vimos como ele foi poderosamente batizado no Espírito Santo enquanto, simultaneamente, Deus já estava visitando outras cidades na província.

 Logo após o batismo de Culpepper, Deus começou a agir na escola que os missionários mantinham na mesma cidade. A história do que aconteceu está na continuação do testemunho do próprio Culpepper.

 Avivamento nas Escolas

 Na noite daquele domingo [um dia após o meu batismo no Espírito], uns três ou quatro casais reuniram-se em nossa casa, outra vez. Oramos por aproximadamente duas horas, e o grupo inteiro de 10 a 12 pessoas foi tremendamente visitado. Todos ficaram cheios de alegria, alegria transbordante e indizível, cheio de glória. Rimos, choramos, louvamos a Deus por muito tempo. Estávamos cheios de gozo, mas não sabíamos o que Deus estava para fazer. Ele estava preparando tudo para um grande avivamento, trabalhando em nossos corações, não só em Hwanghsien, mas em vários outros lugares ao mesmo tempo.

 A missão batista tinha uma escola em Hwanghsien, para alunos de 12 a 18 anos. Havia umas 600 garotas na escola feminina e uns 1000 garotos na escola masculina. Na segunda-feira, as escolas estavam recomeçando as aulas, depois das férias de inverno. Embora fosse uma escola missionária, só havia uns 150 garotos e 120 garotas batizados. Os outros eram, quase todos, de famílias cristãs, mas que ainda não tinham experimentado uma conversão. 

 Ao chegarem à escola naquela segunda de manhã, os alunos encontraram um ambiente já fortemente carregado com a presença do Espírito Santo. Sem que ninguém organizasse nada ou tomasse qualquer iniciativa, os alunos começaram a sentir forte convicção de pecados. Tomados de surpresa, os professores nos chamaram, no seminário, para ir até lá e ajudá-los.

 Quando cheguei lá, havia quatro ou cinco garotos e o mesmo número de garotas em salas desocupadas. Sentindo grande convicção de pecados e chorando, confessaram que haviam mentido aos pais, colado nas provas, roubado objetos uns dos outros e sido desonestos em outras ocasiões. Ficamos com eles por algumas horas, até acertarem a vida com Deus e alcançarem a paz.

 Pensamos que no dia seguinte tudo voltaria ao normal e que as aulas começariam para valer. Mas não foi o que aconteceu. O diretor das duas escolas mandou um recado para mim e para o Pr. Wong (um dos pastores chineses), dizendo que Deus estava enviando um avivamento e que ele iria cancelar as aulas por um tempo. Pediu que eu assumisse uma reunião por dia (às 10 horas da manhã) e o Pr Wong, a outra (às 19 horas).

 Os alunos enchiam a capela, mais ou menos 1.500 pessoas, em cada reunião. Um bom grupo daquelas 200 pessoas que haviam sido visitadas na semana anterior [veja a parte II desta série] estava presente também. Ficavam em pé, em volta do auditório, nas paredes.

 Começávamos a reunião, eu lia alguns textos nas Escrituras e explicava como podiam ser salvos. Mal terminava a explicação, sem esperar o início dos cânticos, os garotos e as garotas da escola já corriam para frente, chorando e caindo de joelhos. Aqueles que já haviam encontrado com Deus na semana anterior vinham e ajoelhavam-se ao lado de cada um, ajudando-os a achar o caminho da conversão e da paz com Deus. Dezenas de alunos tiveram experiências com Deus em cada reunião. Ao final de dez dias, cada uma das 600 alunas já estava convertida. Dos 1000 garotos, 900 tiveram experiências de salvação.

 Numa ocasião, no meio da primeira semana, depois de ter pregado e feito o convite, dezenas de alunos vieram para frente e oramos com cada um. Estávamos quase prontos para encerrar a reunião quando um dos professores veio correndo e disse: “Irmão Culpepper, um rapaz, lá no fundo, embaixo da cadeira, está chamando você”.

 Fui até lá e ajoelhei-me ao seu lado. Ele disse: “Sr. Culpepper, o senhor não me conhece. Sou um ateu, sou comunista. A escola não sabe disso, ninguém sabe. Mas temos aqui uma célula de uns oito ou dez alunos que também são comunistas. E estávamos planejando matar o senhor e todos os missionários. Queríamos queimar as igrejas, exterminar o cristianismo. Hoje ouvi falar sobre esse avivamento. Falei: ‘Não existe nenhum Deus e não existe nenhum fenômeno que possa ser chamado de avivamento. Aquele missionário está hipnotizando as pessoas, e eu vou lá esta noite para impedi-lo’. Cheguei aqui e ouvi o senhor pregar, vi as pessoas indo para frente, confessando os pecados e chorando. Então eu disse: ‘Vou calar esse homem agora!’. Comecei a levantar-me do meu lugar, mas nem cheguei a ficar totalmente em pé quando algo me atingiu bem no coração. Sei que foi Deus que me derrubou e me jogou aqui embaixo desta cadeira. Agora aqui estou e quero lhe dizer, sr. Culpepper, que o senhor está certo e eu estou errado.”

 Na noite seguinte, o Pr. Wong estava dirigindo a reunião. Um garoto do meu lado caiu da cadeira e ficou esticado no chão rígido como uma tábua, rangendo os dentes e apertando os punhos. Depois de despedir a reunião, quando os outros haviam ido embora, os professores ficaram em volta do rapaz, orando por ele. Mas ele disse: “Não orem por mim, levem-me para casa para morrer”. Continuamos a orar, e finalmente ele disse: “Oh, Deus, se não me matares, confessarei meus pecados”. Em seguida, confessou praticamente a mesma coisa que o primeiro do grupo comunista havia confessado.

 No final, metade daquele grupo de 10 comunistas foi convertida e metade fugiu.

 Avivamento nas Igrejas

 Na semana seguinte, um dos pastores veio falar comigo. Ele era responsável por uma igreja que eu conhecia bem. Por dois ou três anos, eu havia dado assistência lá. Com um total de 30 e poucos membros, geralmente a frequência nos cultos oscilava entre 15 e 20 pessoas. Era uma igreja seca, sem vida. Nada do que fazíamos surtia qualquer resultado. Quando havia um ou dois convertidos dentro do período de um mês, ficávamos muito felizes.

 Mas, naquela semana depois do avivamento na escola, esse pastor chegou e disse: “Irmão Culpepper, o povo está chegando aos montões. Estão enchendo a casa e a área do lado de fora. Preciso de ajuda.”

 Fui naquela mesma noite, e realmente o local estava abarrotado. Tinha gente dentro do pequeno edifício e em todo o espaço em volta dele. Tentavam ouvir através das janelas e das portas. Fizemos reuniões durante uma semana, e cada vez que eu pregava, dezenas de pessoas vinham para frente. Ao todo, 100 pessoas fizeram uma decisão por Jesus, e batizei 86 pessoas no mesmo dia.

 Eu estava transbordando de alegria. Nunca havia batizado mais do que cinco ou seis pessoas, talvez 8, no mesmo dia. Geralmente, tínhamos que esperar dois ou três meses para ajuntar esse número. Meu gozo estava completo, quase insuportável, de poder ficar quase como espectador, vendo Deus agir e fazer milagres tão tremendos!
Poucas semanas depois, outro pastor veio, desta vez de uma região mais distante, a uns 150 km da missão. Fui para a cidade dele, e tivemos duas semanas de reuniões. Deus agiu poderosamente, e 300 pessoas se converteram. Batizei 203 em um só dia. Mais uma vez, senti tanta alegria que mal conseguia contê-la.

 Na província de Pingtu, onde o avivamento começou (antes de chegar à nossa província), houve 3000 conversões no primeiro ano. Jamais sonhamos em ver tantas conversões em apenas um ano. O número de igrejas dobrou-se, triplicou-se. Não havia mais problemas financeiros na obra de Deus, pois as pessoas traziam seu dinheiro, traziam seus corações. Elas cantavam, decoravam os salmos, creio que memorizaram mais de 30 salmos e os adaptaram a melodias chinesas. Amavam a Bíblia, liam muito a Palavra de Deus. Coisas maravilhosas aconteciam todos os dias.

 É claro que o inimigo não estava satisfeito e não ficou sem ação, não deixou que avançássemos sem oposição. Usou todos os seus recursos para nos atacar. Tentou impedir-nos, confundir-nos, imitar-nos. Tentou de tudo para parar a obra de Deus. Contudo, Deus deu-nos discernimento. Para isso, dou todo o crédito a ele. Não éramos nós os “entendidos” ou os “espertos”. Era simplesmente Deus concedendo discernimento ao seu povo.

 Testemunhos da Ação de Deus

 Houve vários casos de restituição. Um dia, estávamos orando, todos de joelhos. No final, quando nos levantamos, vimos um pacote de dinheiro em cima da mesa. Havia moedas (de valor equivalente a um dólar) e algumas notas. Junto com o pacote, havia uma nota escrita pela esposa de um dos pastores, dizendo que era o dinheiro do dízimo que ela roubara do Senhor, retendo-o para si mesma.

 Em outra ocasião, um diácono da igreja veio ao culto de santa ceia trazendo uma cesta carregada de moedas (também com valor aproximado de um dólar cada). Estava pesada, tinha umas 500 moedas. Ele chegou e colocou a cesta em cima da mesa da ceia do Senhor. Dentro da cesta, havia um bilhete explicando que era o dízimo que roubara de Deus durante muito tempo. Várias outras pessoas começaram a sentir o mesmo toque de Deus para acertar a vida nessa área.

 Certa manhã, um homem chegou à reunião de oração com o rosto inchado e vermelho, lágrimas escorrendo pelas faces. Foi naquela primeira semana, quando a reunião começou numa terça e continuou, sem interrupção, durante quatro dias. Sempre havia gente na sala de oração, às vezes pouco mais de dez pessoas, em outras até 200. Naquela manhã específica, havia umas 50.

 “Vocês sabem”, ele nos disse, “que minha esposa não é convertida. Deus mostrou-me ontem à noite que ela não é convertida por causa de mim. É impossível ela se converter. Estou vivendo uma vida hipócrita.

 “Vocês não conhecem minha esposa. Tenho medo dela, pois é um verdadeiro terror. Ela não quer que eu dê meu dízimo à igreja. Então tenho mentido para ela. Tiro o dízimo do meu dinheiro e depois chego em casa e digo que é só isso que tenho.

 “Também em outro assunto eu a tenho enganado. Ela não quer que eu vá para os cultos. Acha que é uma perda de tempo. Sempre há tanta coisa para arrumar, para consertar em casa, e ela quer que eu faça essas coisas no lugar de perder tempo indo para os cultos. Se eu insistisse em ir para os cultos, ela ameaçava seguir-me até o local e entrar na reunião, gritando, caindo no chão, fazendo um escândalo e me envergonhando. Vocês não conhecem minha esposa – ela seria capaz de fazer exatamente isso! Tenho medo dela!

  “Então, aos domingos, falo que preciso ir ao mercado. Vou ao culto primeiro e depois passo no mercado e faço algumas compras. É assim que a tenho enganado.

 “Mas ontem à noite, Deus tratou duramente comigo. Preciso ir para casa e confessar que tenho mentido para ela. Preciso contar tudo que tenho feito. Quero que orem por mim.”

 Em seguida, ele saiu, enquanto o grupo ficou em oração. Depois de uma hora ou mais, ele voltou, os olhos ainda cheios de lágrimas, só que desta vez eram lágrimas de alegria. Em seguida, contou-nos como Deus operara.

 Ao bater na porta, a esposa saiu xingando, pois ele não voltara para casa na noite anterior. Xingou e humilhou o marido com todo o vocabulário que conhecia. Mas ele disse: “Pare de xingar. Voltei para casa para confessar meus pecados para você”.

 Quando ouviu as palavras “confessar pecados”, a esposa parou. Pela primeira vez na vida, algo calou os seus lábios. Ela estava surpresa, atônita. Ele, então, entrou e contou-lhe tudo que Deus lhe havia mostrado como pecado em sua vida. Ao terminar, ele disse: “Agora já lhe contei tudo que Jesus apontou em minha vida”.

 “Foi Jesus que mandou você me contar tudo isso?”, ela perguntou.

 “Sim, foi Jesus. Eu não poderia continuar vivendo sem confessar essas coisas, sem acertar minha vida com você.”

 “Então, acho que preciso de Jesus na minha vida também”, ela respondeu.

 Foi assim que, no espaço de umas duas semanas, ela se converteu e também todos os seus filhos.

 Sentimento de Indignidade

 Esse foi apenas um exemplo das coisas maravilhosas, dos milagres que Deus operou naqueles dias. Em tudo, nos sentíamos muito insignificantes, era apenas assistir, ficar de lado observando enquanto Deus agia. Eu me sentia tão indigno que queria morrer, sumir de tão indigno.

 Senti-me como os discípulos, quando Jesus estava no barco deles e ordenou que se dirigissem para o meio do lago e lançassem as redes. “Senhor”, eles responderam, “trabalhamos a noite inteira e não pegamos nada. Porém, sobre tua palavra, o faremos.”

 Abaixaram as redes e pegaram peixes para encher dois barcos. Ficaram tão estupefatos que caíram aos pés de Jesus. “Senhor”, disse Pedro, “retira-te de mim, porque sou pecador.”

 Era exatamente assim que me sentia. Antes do avivamento, labutávamos, nos esforçávamos, empurrávamos, usávamos nossos métodos e recursos, tudo que podíamos imaginar para ganhar pessoas para Cristo, para achar o avivamento, para fazer a obra de Deus. Depois, quando o avivamento chegou, de acordo com a ordem de Deus, ele desceu com o poder do seu Espírito. Vimos multidões sendo salvas. Coisas impressionantes aconteceram, e isso continuou por mais ou menos 15 anos.

 O Propósito de Deus no Avivamento

 Havia períodos de explosão, quando o avivamento espalhava-se como chamas de fogo fora de controle durante alguns meses. Depois, acalmava-se, entrando em uma fase mais quieta em que o Espírito Santo aprofundava a obra. Nesses períodos, havia mais ensinamento, mais estudo da Palavra. Depois de algum tempo, as chamas irrompiam outra vez.

 O avivamento espalhou-se por toda nossa província de Shantung e por mais cinco províncias no norte. Continuou sem parar por quase 15 anos, até a chegada dos comunistas. Até durante a guerra com o Japão, quando todos os missionários foram expulsos, os pregadores e obreiros chineses continuaram levando a Palavra.

 Tenho muita convicção de que Deus, sabendo o que viria para a China (a guerra com os japoneses e, depois, a vinda dos comunistas), enviou o avivamento para preparar o seu povo. Ele sabia que todos os missionários, todos os auxílios e suportes que foram dados para fundamentar e fortalecer a Igreja na China seriam retirados. E ele queria que os próprios chineses, os pastores e obreiros e todos os homens e mulheres na igreja pudessem realmente conhecer a Deus, face a face, e ser cheios de poder.

 Hoje, quando não há mais missionários lá, ninguém pode pregar abertamente e as igrejas estão fechadas, as pessoas lá têm a presença de Deus. Não têm permissão de possuir Bíblias, não podem reunir-se em igrejas. Porém, têm um sistema subterrâneo, um jeito de superar isso que é maravilhoso. E Deus está ali com eles.

 Creio firmemente que Deus queria prepará-los para o que viria e, por isso, enviou esse grande avivamento no tempo apropriado. Agora, recebemos notícias deles por vias que não podemos revelar.

 Embora seja ilegal possuir Bíblias, eles ainda têm algumas. Nunca podem levar uma Bíblia a uma reunião. Mas usam uma senha secreta e reúnem-se em grupos de quatro ou cinco pessoas, em noites escuras, debaixo de uma ponte ou outro local afastado. Escondem uma página da Bíblia dentro de um tubo de bambu, ajoelham-se juntos, embaixo de uma coberta, usando uma lanterna, choram juntos, lêem uma passagem, oram e consolam um ao outro. Para eles, a Bíblia é um tesouro de valor infinito. Dariam tudo para desfrutar das oportunidades que temos aqui no mundo livre.

 Deus sabe o quanto precisamos de um avivamento como aquele em nossos dias, aqui no mundo ocidental. No avivamento, Deus mesmo age. Ninguém mais nos poderá ajudar. Somente Deus.

 Fonte: Shantung Revival, testemunho em áudio, gravado em 1966, e disponível no sitewww.sermonindex.net